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Sem restrição ao capital estrangeiro, setor de saúde começa a mudar perfil
19/02/2015

Empresas do segmento poderão contar com novos leitos, melhores modelos de governança corporativa e investimentos em tecnologia da informação com nova onda de fusões
 
Vivian Ito
 
São Paulo - Com a retirada da restrição do capital estrangeiro para prestadoras de serviço do mercado de saúde no País, a nova lei do setor deve atrair uma enxurrada de aportes a partir do próximo ano. A previsão é de aumento no número de fusões e aquisições, com a ampliação de investimentos.
 
Com as novas regras, o acesso ao capital será mais fácil. "Hoje a procura por recurso é muito cara. Não há subsídios e o financiamento com o banco tem juros elevados", explica o presidente da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Francisco Balestrin. Para ele, a entrada de investimentos estrangeiros pode beneficiar empresas e consumidores em todo o setor. "O que precisamos é de novos leitos, melhores modelos de governança corporativa e os investimentos em tecnologia da informação que as redes deverão trazer", foca o presidente da entidade.
 
Ainda segundo ele, é provável que a entrada das novas empresas no País ocorra nos próximos dois anos. "Este semestre deverá ser um momento de estudo, já que para vir, o capital deverá ter um projeto muito bem estruturado. Mas, em 2016 devem surgir muitas negociações", diz Balestrin.
 
Histórico

A Lei 13.097 foi promulgada no dia 19 de janeiro e libera a aquisição parcial ou completa de empresas prestadoras de serviço - hospitais e laboratórios por estrangeiras. "Antes os investimentos podiam ser realizados apenas em operadoras e seguros. A menos que o aporte fosse feito por entidades filantrópicas, empréstimos ou financiamentos", diz o sócio da área de infraestrutura do Demarest, Paulo Dantas.
 
Segundo ele, o que ocorria com frequência era que grandes redes internacionais faziam a aquisição de operadoras brasileiras que possuíam redes de hospitais ou laboratórios e dessa forma, conseguiam entrar no mercado. "Essa era uma brecha que a lei deixava, mas com a eliminação da restrição, é possível cortar esse caminho".
 
Um exemplo foi a aquisição da Amil - que possui cerca de 37 mil prestadores de serviço - pelo grupo norte-americano UnitedHealth em 2012.
 
Mercado

Segundo os especialistas, existem rumores sobre a possibilidade do fundo de private equity americano Carlyle negociar a compra de uma fatia da Rede D′Or do BTG Pactual. Os escritórios PK Advogados, Dagoberto Advogados e Demarest Advogados confirmam ter recebido interessados em conhecer as possibilidades de negócio no País. "Mesmo com a retração, o mercado tem uma demanda reprimida muito grande e isso é atraente para os investidores", comenta o sócio da Dagoberto Advogados, Ricardo Ramires.
 
Ainda segundo ele, a procura será principalmente de redes americanas e europeias. "O desafio agora, é incentivar as negociações. A regulação brasileira é muito engessada e os impostos altos".
 
Do total de hospitais no País, cerca de 1,5 mil são passíveis de consolidação e dessas, apenas 10% ou 20% são operações financeiras que fazem sentido, é o que acredita Balestrin. "Por isso, as redes que chegarem primeiro terão mais oportunidades. As que vierem depois podem ficar sem espaço para negociar", completa. (Manchetes)

*Reportagem publicada dia 06/02 no DCI
Fonte: DCI
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